Reza a lenda[1] que, trabalhando na Apple, a qualquer momento você pode encontrar Steve Jobs e ouvir dele a seguinte pergunta: “O que você faz aqui?” e, caso ele não goste da resposta você pode ser demitido na hora.
Apesar de essa ser uma atitude drástica, acho que faz bastante sentido, principalmente no cenário de desenvolvimento de software. Alguma vez você já se perguntou o que realmente faz na empresa onde trabalha? Se a resposta for tão simples como “escrevo código” talvez você esteja prestes a ser (merecidamente) demitido promovido ao mercado de trabalho . Mesmo como programador seu trabalho não é apenas escrever código, mas sim transformar idéias em maravilhas tecnológicas que vão fazer seu usuário delirar e com isso agregar valor para a empresa ou qualquer outra coisa que o valha. Isso vale para todas as posições.
Desde gerentes (que tradicionalmente só controlam cronogramas, ou seja, fazem nada) até gerentes de produto que ficam pra cima e pra baixo mandando as pessoas fazerem coisas. O ponto é, se você não contribui para o produto final você é inútil, totalmente dispensável e deveria arrumar uma outra coisa pra fazer. Sua contribuição não precisa ser necessariamente técnica (com código), mas também com soft skills (organização, segurança, criatividade, etc) que ajudem efetivamente seu time a chegar ao objetivo.
Acho que esse é um ponto importante de reflexão. Para sermos melhores no que fazemos temos que entender realmente o que queremos e temos de fazer.
O que você acha?
[1] – Segundo relatos existentes de (ex) funcionários no livro “A cabeça de Steve Jobs”
Assunto interessante.
Acho importante você ter mencionado a soft skills.
Algo que eu considero crítico é trabalho em equipe.
Será que é suficiente você ser um técnico competente, se você não se apóia em ou apóia quem está ao seu redor?
Podemos considerar que profisisonais técnicos competentes são caros.
Compensa ter um cara que é competente mas não contribui com a competência geral de seu grupo de trabalho?
Ai acho que vamos entrar em um mérito mais profundo: o cara ajuda mais ou atrapalha? É insubstituível?
Se ele atrapalhar muito por não jogar em time, mesmo manjando muito técnicamente, a longo prazo é vantagem ficar sem ele. Moral baixa e gente atrapalhando o time é tolerável em curto prazo, mas muito prejudicial em um futuro.
Habilidades técnicas são (muito!!!) necessárias, mas o minínimo de cooperação e team play é fundamental.
IMHO, é claro.
Também concordo, porém, é uma visão que quem mais deve ter são so diretores ou proprietários da empresa.
E dependendo do time, conheço exemplos onde um membro do time era justamente quem tentava ajudar com organização, segurança, criatividade e técnicamente bom e acabava atrapalhando os outros do time pois não se importavam muito com isso (o négócio era botar codigo, escrever, codificar, entregar projeto)… Porém… o time estava na empresa anos juntos e o membro que tinha essas soft skills era novo na empresa, logo, a empresa não o via como membro de confiança…
E ai? Como lidar com isso?
[]´s
Juliano,
essa separação vertical que existe na maioria das empresas tende a diminuir conforme estamos passando pela era da criatividade e extinção das linhas de trabalho padronizadas e esse negócio de apenas os donos/executivos se preocuparem tem que ficar no passado.
Ao longo do tempo a ocorrência desse tipo de problema que você citou (acredito eu) tende a diminuir, mas enquanto isso você tem duas opções pra resolver caso não esteja em uma posição de decisão na empresa:
1) Começar de baixo pra cima e tentar mudar o mindset da empresa toda. Isso leva tempo e toma energia, mas o resultado pode ser bastante recompensador.
2) Caso você não tenha sucesso com a primeira opção a idéia é procurar um lugar melhor pra você, pois nesse caso a empresa não serve
No entanto, acho importante fazer uma auto-avaliação pra ver se o problema é realmente na empresa, em você ou até nos dois.
É importante também lembrar que esse tipo de mudança, mesmo quando está dando certo, leva anos então não é do dia pra noite que as coisas vão acontecer.
Outra coisa que eu acho legal é: você consegue falar o seu salário sem constrangimento ou vergonha para o seu colega de trabalho? Senão, é por que você não pode justificar o valor dele, e daí é a mesma coisa que ser importante ou não na empresa.
Se agir com ética, acho que essa avaliação expressa do Jobs é extremamente benéfica para a empresa, seja ela qual for.